Que ela nunca sofra a humilhação de ser enxotada de seu lar a cassetete, com o filho nos braços, a perguntar-se o que há de tão terrível e ameaçador em tentar prover um teto e dignidade de lar a suas crias.
Que ela jamais sofra a dor pungente de não saber por décadas a fio onde está o cadáver do filho ou filha, morto por pensar diferente daqueles que enxotam mães e filhos de seus lares.
Que nunca tenha o terror de pensamentos e sonhos imaginando o sofrimento do filho ou filha, exposto a sevícias, mutilações e estupros nas mãos de covardes que não ousam sequer admitir tamanhas barbaridades.
Que nunca passe pelo baque de encontrar o cadáver de um filho dentre uma pilha, assassinado pelas mãos de quem é pago para manter a lei, a mesma lei que criou sua função pública, de garantir a ordem e a segurança física de todos os membros da sociedade.
Que nunca passe pelas agulhadas de dor ao ver seu filho faminto, doente, aumentadas por saber que no mesmo momento são gastos bilhões em espetáculos desportivos, milhões em visitas de líderes religiosos que nada mais fazem do que manter na confortável ignorância dessa situação milhões e milhões de outras mães que, de outra forma, se solidarizariam na maternidade e impediriam a existência dessa penúria.
Porque todas as mães sofrem pelos filhos.
TODAS.
Que mãe alguma sofra.
Nunca mais.
Dedico à Ivanir e à Karine.




